Manaus (AM) — A disputa política no Amazonas entrou de vez na era da inteligência artificial. A Justiça Eleitoral do Amazonas determinou, em decisão liminar, a retirada de vídeos publicados nas redes sociais pelo Sargento Alexandre Salazar, após pedido apresentado pelo ex-governador Wilson Lima, apontado como pré-candidato ao Senado, e pela Federação União Progressista. Segundo informações divulgadas sobre o processo, os vídeos usariam recursos de inteligência artificial e manipulação de imagem para criar paródias políticas envolvendo agentes públicos e nomes ligados ao cenário eleitoral de 2026. A decisão reacende um debate que deve marcar a próxima eleição: até onde vai a crítica política e onde começa a manipulação digital? O caso não deve ser tratado apenas como uma disputa entre Wilson Lima e Sargento Salazar. Ele expõe uma questão maior: a tecnologia já entrou na arena política do Amazonas, e a Justiça Eleitoral começa a estabelecer limites para conteúdos que possam confundir o eleitor, distorcer imagens ou transformar sátira em possível desinformação. O que diz a decisão De acordo com a publicação sobre o caso, o TRE-AM determinou que o Facebook Serviços Online do Brasil, responsável pelas plataformas Facebook e Instagram, retire do ar as URLs indicadas na ação no prazo máximo de 24 horas. A decisão também proibiu o Sargento Salazar de republicar, compartilhar ou mencionar novamente o mesmo material questionado, inclusive por meio de outras contas ou páginas sob sua administração. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 5 mil, com limite inicial de R$ 100 mil. A medida, no entanto, tem caráter liminar e não representa julgamento definitivo do mérito. O processo ainda seguirá com manifestação da defesa e análise dos órgãos competentes. IA, deepfake e pré-campanha Segundo a representação, os conteúdos questionados teriam utilizado manipulação de imagem, conhecida como deepfake ou cheap fake, além de encenações com armas de fogo e cenário de violência simulada. A alegação é de que o material poderia configurar suposta propaganda eleitoral negativa antecipada. A Justiça Eleitoral destacou que a ordem se limita aos vídeos específicos denunciados. A decisão não impede críticas políticas futuras, manifestações de opinião ou novas publicações, desde que respeitem as normas legais. Esse ponto é importante. A democracia protege a crítica, a sátira, a fiscalização e o questionamento público. Mas o uso de tecnologia para alterar imagem, criar cenas falsas ou simular situações que não aconteceram entra em uma zona sensível, principalmente quando o conteúdo pode atingir o processo eleitoral. TSE já endureceu regras sobre inteligência artificial O Tribunal Superior Eleitoral vem ampliando as regras sobre o uso de inteligência artificial nas eleições. Para 2026, partidos, candidatos e plataformas devem observar normas específicas sobre conteúdo sintético criado ou alterado por IA, especialmente quando envolver imagem, áudio, vídeo ou texto com potencial de desinformação. As regras exigem transparência no uso de conteúdo produzido ou significativamente alterado por inteligência artificial e preveem remoção de materiais que violem as normas eleitorais. O objetivo é evitar que vídeos falsos, montagens e manipulações digitais sejam usados para prejudicar ou favorecer candidaturas. No Amazonas, o caso envolvendo Wilson Lima e Sargento Salazar aparece como um dos primeiros grandes alertas da pré-campanha. A discussão não é apenas jurídica. É também política, tecnológica e democrática. O impacto para o eleitor Com a proximidade de 2026, o eleitor amazonense deve ser cada vez mais exposto a vídeos curtos, memes, cortes, montagens, dublagens e conteúdos com aparência de realidade. O risco é que parte do público consuma esse material sem perceber que ele foi editado, manipulado ou produzido artificialmente. Em uma eleição disputada nas redes sociais, a velocidade da mentira pode ser maior que a do esclarecimento. Por isso, o combate à desinformação não pode depender apenas da Justiça. Também exige responsabilidade de políticos, partidos, influenciadores, plataformas e do próprio eleitor. Pontos que precisam de esclarecimento O caso ainda precisa esclarecer, no curso do processo, qual foi o alcance real dos vídeos, se houve impulsionamento, quem produziu o material, quais elementos foram gerados ou alterados por IA e se as publicações tiveram potencial concreto de desequilibrar o debate político. Também será importante acompanhar como a Justiça Eleitoral vai diferenciar crítica legítima, humor político, paródia permitida e conteúdo manipulado de forma irregular. Espaço aberto O Portal Manaus On Time mantém espaço aberto para manifestação de Wilson Lima, Sargento Salazar, Federação União Progressista, Justiça Eleitoral, partidos políticos e demais envolvidos citados no contexto desta matéria. Caso haja manifestação oficial ou novo andamento do processo, esta matéria poderá ser atualizada. Fechamento A eleição d