Manaus (AM) — Com as eleições de 2026 cada vez mais próximas, a Justiça Eleitoral mira um dos maiores desafios do próximo pleito: o avanço da inteligência artificial, das fake news e da desinformação nas redes sociais. O tema foi destaque no XVIII Encontro Nacional do Colégio de Ouvidores da Justiça Eleitoral (ECOJE), conduzido pela juíza Lídia de Abreu Carvalho, ouvidora da Mulher do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e presidente do Colégio de Ouvidores da Justiça Eleitoral (COJE). O encontro foi realizado entre os dias 1º e 4 de julho, em Teresina e Parnaíba, no Piauí, reunindo representantes da Justiça Eleitoral de todo o país, além de autoridades do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tribunais regionais e instituições ligadas ao sistema de Justiça. IA e fake news entram no centro da preocupação A programação discutiu inovação, inteligência artificial, combate à desinformação, inclusão, linguagem simples e fortalecimento da comunicação entre a Justiça Eleitoral e a sociedade. O assunto ganha força em um momento em que vídeos, áudios, imagens e textos manipulados por IA podem circular com aparência de realidade e afetar diretamente a opinião do eleitor. Em uma eleição nacional, esse risco se torna ainda maior. Por isso, as ouvidorias eleitorais passam a ter papel estratégico. Mais do que canais administrativos, elas podem funcionar como portas de entrada para denúncias, reclamações, pedidos de orientação e participação cidadã. TRE-AM ganha protagonismo no debate nacional Ao conduzir o encontro nacional, Lídia de Abreu Carvalho colocou o TRE-AM em posição de destaque em uma discussão que será central para 2026. A magistrada defendeu o fortalecimento das ouvidorias como espaços permanentes de diálogo institucional. Durante o evento, foi aprovada a Carta do Piauí, documento que reúne diretrizes para atuação das ouvidorias eleitorais em todo o país. Entre os pontos destacados estão fortalecimento institucional, acessibilidade, linguagem simples, uso ético da inteligência artificial, proteção de dados pessoais, padronização dos atendimentos e enfrentamento à desinformação. O documento também reforça a atuação das Ouvidorias da Mulher no combate à violência política de gênero, tema que deve voltar ao centro do debate nas eleições de 2026. O eleitor no centro do processo A Justiça Eleitoral entende que o combate à desinformação não depende apenas de decisões judiciais. Também passa pela escuta da população, pela transparência nas respostas e pela capacidade de orientar o cidadão em linguagem simples. Em tempos de redes sociais aceleradas, o eleitor precisa saber onde buscar informação confiável, como denunciar irregularidades e como identificar conteúdos manipulados ou fora de contexto. Esse é um desafio especialmente relevante no Amazonas, onde a circulação de informações por aplicativos de mensagem, grupos locais e páginas regionais pode influenciar rapidamente a percepção política em Manaus e no interior. O desafio de 2026 As eleições de 2026 serão disputadas também nas telas dos celulares. Candidatos, partidos, apoiadores e influenciadores devem usar vídeos curtos, transmissões ao vivo, recortes, montagens e peças digitais para tentar conquistar a atenção do eleitor. O problema começa quando a disputa de ideias dá lugar à manipulação. A crítica política é legítima. A denúncia responsável é necessária. A cobrança pública faz parte da democracia. Mas fake news, deepfakes e conteúdos fabricados para enganar o eleitor atingem diretamente a integridade do processo eleitoral. Pontos que precisam de atenção Entre os principais desafios estão a rapidez na análise de denúncias, a atuação das plataformas digitais, a proteção contra violência política de gênero, o uso responsável da IA e a orientação clara ao eleitor sobre seus direitos. Também será necessário garantir que o combate à desinformação não seja usado como pretexto para censurar críticas legítimas, denúncias fundamentadas ou opiniões políticas protegidas pela liberdade de expressão. Espaço aberto O Portal Manaus On Time mantém espaço aberto para manifestação do TRE-AM, TSE, COJE, partidos políticos, especialistas e cidadãos que desejem contribuir com informações sobre o debate eleitoral, inteligência artificial e combate à desinformação. Caso haja nova manifestação ou atualização institucional, esta matéria poderá ser atualizada. Fechamento A Justiça Eleitoral mira IA e fake news porque sabe que a disputa de 2026 não será travada apenas nos palanques. Ela acontecerá também nos grupos de WhatsApp, nos vídeos curtos, nas páginas políticas e nos conteúdos que chegam ao eleitor antes mesmo de qualquer checagem. O desafio será grande: proteger o voto, combater a mentira e, ao mesmo tempo, preservar a crítica legítima. Esse equilíbrio pode definir a qualidade do debate eleitoral no Amazonas e no Brasil.