Os deputados estaduais do Amazonas somaram 364 faltas em sessões no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento divulgado pela Rede Amazônica. O número reacende uma cobrança antiga da população: quem foi eleito para representar o povo está, de fato, ocupando o espaço onde as decisões precisam ser debatidas? A presença dos parlamentares em plenário é parte essencial do mandato. É nas sessões que projetos são discutidos, votações avançam, cobranças são feitas ao Executivo e temas de interesse público ganham visibilidade. Embora parte das ausências possa ter justificativa formal, o volume total chama atenção e exige transparência. A população tem o direito de saber quem faltou, quantas vezes, por quais motivos e se as justificativas apresentadas são compatíveis com a responsabilidade do cargo. Na prática, a falta de parlamentares em sessões pode afetar o andamento de debates, atrasar votações e reduzir a qualidade da fiscalização sobre temas importantes para o Amazonas. Educação, saúde, segurança, transporte, interior, meio ambiente e orçamento público dependem de acompanhamento constante. A Assembleia Legislativa do Amazonas é uma das instituições mais importantes do estado. Por isso, a presença dos deputados não deve ser tratada como detalhe administrativo, mas como um indicador básico de compromisso com o mandato. O eleitor comum, que enfrenta jornada de trabalho, transporte difícil e rotina pesada, costuma cobrar dos representantes uma postura proporcional à confiança depositada nas urnas. Quando os números de ausências crescem, a sensação pública é de distanciamento entre a política e a vida real. Também é importante diferenciar faltas justificadas de ausências sem explicação. A atividade parlamentar não se resume ao plenário, já que deputados também participam de comissões, agendas externas, reuniões institucionais e visitas ao interior. Ainda assim, a transparência precisa permitir que a sociedade compreenda o motivo de cada ausência. O levantamento reforça a necessidade de a Aleam manter dados acessíveis, claros e atualizados sobre frequência parlamentar. Informação pública deve ser simples de consultar, sem barreiras técnicas ou linguagem confusa. Outro ponto que precisa ser observado é o impacto das ausências na produtividade legislativa. Mais do que contar faltas, é preciso avaliar presença em votações relevantes, atuação em comissões, apresentação de projetos, fiscalização de contratos públicos e defesa de demandas da população. O debate não deve ser reduzido a exposição individual ou disputa política. A questão é institucional: o mandato parlamentar exige presença, trabalho e prestação de contas permanente. Entre os pontos que precisam de esclarecimento estão quais deputados concentram o maior número de faltas, quantas ausências foram justificadas, quais critérios são aceitos pela Casa e se existe algum efeito prático para parlamentares com frequência baixa. A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Assembleia Legislativa do Amazonas e dos deputados citados no levantamento. Caso haja posicionamento oficial, detalhamento das justificativas ou atualização dos dados, a matéria poderá ser atualizada. Faltar pode ser permitido quando há justificativa. Mas explicar é obrigação. Em um estado com tantos problemas urgentes, a população espera que seus representantes estejam presentes, atuantes e prontos para responder pelo mandato que receberam nas urnas.