A Câmara Municipal de Presidente Figueiredo rejeitou a concessão do título de cidadão figueiredense ao vice-prefeito Marcelo Palhano. A proposta foi levada ao plenário, mas acabou derrotada por maioria, em uma votação que movimentou os bastidores políticos do município. Ao todo, nove vereadores votaram contra a homenagem, enquanto três foram favoráveis ao projeto de decreto legislativo. Com o resultado, Palhano, que é natural de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, não recebeu o reconhecimento oficial do município onde atualmente exerce o cargo de vice-prefeito. A rejeição chamou atenção porque títulos de cidadão costumam ser aprovados sem grandes resistências nas câmaras municipais. Nesse caso, porém, o placar folgado contra a proposta expôs um ambiente político dividido e ampliou a leitura de que a decisão ultrapassou o campo meramente simbólico. Após a votação, Marcelo Palhano se manifestou nas redes sociais e agradeceu aos vereadores que apoiaram a concessão da honraria. O vice-prefeito afirmou que segue trabalhando por Presidente Figueiredo e pelo Amazonas. O episódio ocorre em meio a um cenário político sensível no município. A base da Câmara é formada majoritariamente por vereadores alinhados ao prefeito Fernando Vieira, do MDB. Apesar de ocuparem a mesma chapa na administração municipal, prefeito e vice passaram a atuar em campos políticos diferentes com foco nas articulações para 2026. Fernando Vieira integra o grupo político que apoia a candidatura do senador Omar Aziz ao Governo do Amazonas. Já Marcelo Palhano tem se movimentado em outra direção e lançou pré-candidatura a deputado estadual no grupo do ex-prefeito de Manaus David Almeida, que também aparece no tabuleiro da disputa pelo governo estadual. A votação também fez voltar à tona uma declaração feita meses antes pelo senador Omar Aziz durante encontro com Palhano, em Manaus. Na ocasião, a fala teve tom de advertência e voltou a circular nos bastidores após a rejeição do título. Apesar das interpretações políticas, não há confirmação oficial de que a votação tenha sido motivada por disputa eleitoral ou alinhamento partidário. O fato concreto é que a Câmara rejeitou a proposta por 9 votos a 3, e o resultado gerou repercussão no cenário local. O caso levanta questionamentos sobre a relação entre Executivo, Legislativo e projetos políticos em Presidente Figueiredo. Quando uma homenagem geralmente protocolar é rejeitada de forma expressiva, a população passa a observar com mais atenção os sinais de desgaste entre grupos que antes caminhavam juntos. Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão os critérios usados pelos vereadores para rejeitar a honraria, se houve justificativas públicas para os votos contrários e qual será o impacto político da decisão nas articulações do município nos próximos meses. A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Câmara Municipal de Presidente Figueiredo, do vice-prefeito Marcelo Palhano, dos vereadores citados e demais envolvidos. Caso haja posicionamento oficial, a matéria poderá ser atualizada. A rejeição do título pode parecer apenas um gesto simbólico, mas na política municipal símbolos costumam falar alto. Em Presidente Figueiredo, o placar de 9 a 3 deixou uma mensagem clara: o ambiente político está dividido, e 2026 já começou a influenciar os movimentos dentro das câmaras e prefeituras do Amazonas.