Império Serrano, Unidos de Padre Miguel e Acadêmicos de Santa Cruz foram os destaques neste segundo e último dia dos desfiles da Série Ouro do carnaval do Rio, que começou na noite de quinta-feira (21) e terminou na manhã de sexta (22). A festa ainda teve presença de Império da Tijuca, Acadêmicos de Vigário Geral, Estácio de Sá, Inocentes de Belford Roxo e Lins Imperial. Em contraste com a primeira noite, esta segunda metade da Série Ouro (a antiga Série A) não teve qualquer tipo de acidente ou tempo excedido. Todas as oito escolas conseguiram completar suas apresentações em 55 minutos ou menos. A Lins Imperial abriu a segunda noite da Série Ouro. A atual campeã do Grupo Especial da Intendente Magalhães, a terceira divisão do Carnaval carioca, entrou na Sapucaí com cerca de 15 minutos de atraso. Com o enredo "Mussum pra sempris. Traga o 'mé' que hoje com a Lins vai ter muito samba no pé", a escola fez homenagem ao humorista e sambista em todos os seus dons e personalidades. Foram 26 alas, três carros, um tripé e 1.800 componentes para mostrar o Trapalhão, o membro do grupo Originais do Samba e até o Kid Mumu da Mangueira. Na comissão de frente, que retratava diferentes Mussuns, o sósia Rildo Martins chamou atenção pela semelhança com o ator. Já o carro abre-alas mostrou o morro da Cachoeirinha, comunidade que faz parte do complexo de Lins, onde Mussum nasceu. A última alegoria teve problemas para fazer a curva e entrar no desfile, o que atrapalhou um pouco a evolução no final, mas não comprometeu o tempo da escola. Foram 55 minutos cravados. A segunda escola foi a Inocentes de Belford Roxo. Jovem formada em 1994, a agremiação ficou com a quarta colocação em 2020. Agora, levou à Sapucaí o enredo "A Noite dos Tambores Silenciosos", a história de uma festa que há mais de 50 anos celebra a ancestralidade negra no Recife. A louvação aos orixás acontece a partir da meia-noite da segunda-feira de carnaval, quando todas as luzes se apagam, e começa o toque dos atabaques. A escola da Baixada Fluminense contou com 17 alas, três carros, dois tripés e 2.200 componentes. Como não podia deixar de ser, a comissão de frente entrou acompanhada de um tambor gigante, do qual saía uma uma orixá que fazia a conexão entre dois mundos. A Inocentes de Belford Roxo conseguiu fechar seu desfile em 54 minutos. Terceira escola da noite, a Estácio de Sá tenta retornar ao Grupo Especial. Ela caiu para a Série A (agora Série Ouro) em 2020, ao fica na penúltima colocação. Para conseguir a única vaga para subir este ano, a agremiação apostou na reedição de um enredo de 1995. O "Uma vez Flamengo" vira "Cobra coral, Papagaio Vintém. Vesti rubro-negro, não tem pra ninguém", agora com um foco no olhar do torcedor. A comissão de frente falou sobre a relação dos jogadores com seus rituais antes dos jogos e do peso da camisa – nesse caso, quase literal. Um drone carregava o manto rubro-negro sobre a Sapucaí. No primeiro carro e nas alas seguintes, a escola mostrou a história dessa camisa, que começou azul e dourada na época do clube de regatas, até o vermelho e preto atuais. Já em cima da última alegoria, representando a festa na favela que acontece em vitórias do Flamengo no campo, estava o famoso time de sósias do elenco original. Com 22 alas, três carros, um tripé, um elemento cenográfico e 2.200 componentes, a escola encerrou sua participação com 54 minutos. A Acadêmicos de Santa Cruz, quarta escola da noite, é integrante de longa data da Série Ouro. A última vez em que saiu foi em 2003, quando subiu para o Grupo Especial. No ano seguinte, voltou e ficou. Depois do 7º lugar em 2020, em 2022 a escola trouxe à Sapucaí o enredo "Axé, Milton Gonçalves - No catupé da Santa Cruz". Com 22 alas, três carros, um tripé e 2.500 componentes, a Santa Cruz relembrou a infância do ator na lavoura de café em Minas Gerais e fez um paralelo entre sua carreira e os orixás. O preto e branco de grande parte das primeiras alas encontrou contrastes com o rosa e o roxo do segundo carro, que representava o período no qual Milton trabalhou em uma livraria e se apaixonou pelas artes, o vermelho e preto do Flamengo, seu time do coração, e o verde e rosa da Mangueira, sua escola. O último carro, no entanto, que retratava Milton como seu personagem na novela "Bem Amado", deveria mostrar sua liberdade. Mas sofreu com problemas de deslocamento. Mesmo assim, a escola conseguiu fechar o portão da dispersão com 53 minutos. O fim do desfile ainda guardou uma surpresa. Uma componente foi surpreendida por um pedido de casamento feito pelo namorado. A Unidos de Padre Miguel foi a quinta a entrar na Sapucaí. A escola chegou perto de subir para o Grupo Especial em 2020, ficando com o segundo lugar em um ano em que só uma era promovida. Em 2022, a agremiação levou ao carnaval do Rio o enredo "Iroko – É tempo de xirê", sobre o orixá do tempo, do conhecimento e da ancestralidade, pouco difundido no Brasil. A UPM teve 22 alas, três carros, um tripé, um pede passagem no lugar de seu abre