Sexta testemunha a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado Federal, o gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, afirmou, nesta quinta-feira (13), que a empresa fez, em 2020, ao menos cinco ofertas ao Brasil de doses da vacina desenvolvida em parceria com a BioNTech, contra a Covid-19. Em depoimento que durou mais de 5 horas, Murillo disse aos membros da comissão que o governo federal não respondeu a propostas apresentadas pela farmacêutica, entre agosto e novembro do ano passado, para a compra de 30 milhões ou 70 milhões de doses do imunizante. Caso os acordos tivessem sido firmados, o país poderia ter recebido até 1,5 milhão de doses ainda em 2020 – e iniciado a campanha de vacinação se houvesse autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como ocorreu no Reino Unido, nos Estados Unidos e em três países da América Latina: Chile, México e Costa Rica. O cronograma inicial da Pfizer previa a entrega de 1,5 milhão de doses no primeiro trimestre e 5 milhões no segundo, caso não houvesse atrasos. De acordo com o executivo, as primeiras conversas com autoridades brasileira ocorreram em maio do ano passado – mesmo momento em que a farmacêutica iniciou tratativas com outros governos. O Brasil só fechou o primeiro acordo com a companhia em 19 de março deste ano (dez meses após o início das conversas), garantindo a compra de 100 milhões de doses do imunizante até o fim do terceiro trimestre. O valor unitário da dose foi de US$ 10,00. Um segundo contrato está em etapa final de negociação e deve garantir outras 100 milhões de doses até o fim do ano, a um valor unitário de US$ 12,00. As falas de Carlos Murillo confirmam parcialmente o que foi dito ontem (12) pelo ex-secretário Fabio Wajngarten (Comunicação) à comissão, que o governo brasileiro congelou por dois meses tratativas com a Pfizer. No entanto, o executivo mostrou que os diálogos começaram muito antes de novembro, quando o ex-secretário respondeu a carta enviada em setembro pelo CEO da companhia, Albert Bourla. Durante a oitiva na CPI da Pandemia, o representante da farmacêutica construiu uma linha do tempo das tratativas com o governo federal. Eis os principais momentos das negociações: -Maio e junho/2020: Conversas iniciais para compartilhamento de informações sobre o status de desenvolvimento da potencial vacina. -Julho/2020: A Pfizer apresentou ao Ministério da Saúde uma expressão de interesse. Nela, a farmacêutica resumia o processo de tratativas em todos os países do mundo. Houve novas reuniões com representantes da pasta em agosto. -6 de agosto/2020: O Ministério da Saúde manifestou possível interesse na aquisição da vacina da Pfizer. -14 de agosto/2020: A Pfizer ofereceu sua primeira proposta vinculante. Eram duas ofertas com as mesmas condições e preços. Segundo o executivo, a diferença era o quantitativo: uma envolvia a compra de 30 milhões de doses, enquanto a outra, 70 milhões. A proposta de 30 milhões de doses totais envolvia remessa de 500 mil doses no fim de 2020; 1,5 milhão no primeiro trimestre; 5 milhões no segundo trimestre; 14 milhões no terceiro trimestre; e 9 milhões no quarto trimestre. A proposta de 70 milhões de doses totais envolvia remessa de 500 mil doses no fim de 2020; 1,5 milhão no primeiro trimestre; 5 milhões no segundo trimestre; 33 milhões no terceiro trimestre; e 30 milhões no quarto trimestre. -18 de agosto/2020: A companhia refez a oferta com o mesmo número de doses, mas com possibilidade de entrega “quantitativo adicional” no final de 2020. A proposta de 30 milhões de doses totais envolvia remessa de 1,5 milhão doses no fim de 2020; 1,5 milhão no primeiro trimestre; 5 milhões no segundo trimestre; 14 milhões no terceiro trimestre; e 8 milhões no quarto trimestre. A proposta de 70 milhões de doses totais envolvia remessa de 1,5 milhão doses no fim de 2020; 1,5 milhão no primeiro trimestre; 5 milhões no segundo trimestre; 33 milhões no terceiro trimestre; e 29 milhões no quarto trimestre. -26 de agosto/2020: Foi feita uma terceira oferta, com os mesmos quantitativos gerais. A proposta de 30 milhões de doses totais envolvia remessa de 1,5 milhão doses no fim de 2020; 2,5 milhão no primeiro trimestre; 8 milhões no segundo trimestre; 10 milhões no terceiro trimestre; e 8 milhões no quarto trimestre. A proposta de 70 milhões de doses totais envolvia remessa de 1,5 milhão doses no fim de 2020; 3 milhões no primeiro trimestre; 14 milhões no segundo trimestre; 26,5 milhões no terceiro trimestre; e 25 milhões no quarto trimestre. -12 de setembro/2020: A Pfizer encaminha carta, assinada pelo próprio CEO da companhia, Albert Bourla, a representantes do governo brasileiro informando o estágio dos estudos sobre a vacina contra Covid-19 em desenvolvimento e reforçando intenção em fechar acordo. No documento, o representante da farmacêutica diz que sua equipe se reuniu com representantes dos Ministérios da Saúde e da Economia e com a embaixada brasileira em Washington e