O Congresso Nacional entrou de recesso, mas um tema votado no fim da semana passada está mobilizando os parlamentares mesmo no período de folga: a aprovação do fundão eleitoral no valor de R$ 5,7 bilhões. O valor, considerado alto, repercutiu mal na sociedade e gerou pressão sobre o presidente Jair Bolsonaro. Ele tem sinalizado que vai vetar. O problema é que seus próprios aliados são a favor do fundão turbinado. Esse fundo, formado com dinheiro público, foi criado em 2017. O objetivo é financiar as campanhas políticas nas eleições. Foi a solução encontrada pelo Congresso quando, em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o fim do financiamento de campanhas por empresas. É importante lembrar que, na época, havia grande pressão da sociedade para a proibição de financiamento privado, já que a Operação Lava Jato investigava diversas irregularidades cometidas com o dinheiro de empresas para campanhas de políticos. Para 2020, ano de eleições municipais, o Congresso tinha aprovado um fundo eleitoral de R$ 2 bilhões. O valor para 2022 praticamente triplicou. A variação é de 185%, muito maior que a inflação no período. Os parlamentares incluíram de última hora na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022 uma nova regra de cálculo para o fundo que, segundo técnicos do Congresso e parlamentares, levou ao novo valor, de R$ 5,7 bilhões. O aumento do fundo eleitoral foi incluído pelo relator, deputado Juscelino Filho (DEM-MA), no seu relatório final apresentado às 7h22 de quinta-feira (15). No fim da manhã, o projeto foi aprovado na Comissão Mista de Orçamento (CMO). À tarde, pelos deputados no plenário e no início da noite, pelos senadores. A maior parte dos partidos e parlamentares aliados do presidente Jair Bolsonaro votou a favor do fundo de R$ 5,7 bilhões. Inclusive os filhos dele, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e o senador Flavio Bolsonaro (Patriota-RJ). Também são a favor do fundo parlamentares do Centrão, o poderoso grupo que dá sustentação para o governo no Congresso. Nesta segunda-feira (19), em conversa com apoiadores, Bolsonaro disse que a tendência é vetar. No domingo (18), ele classificou a situação como uma "casca de banana". Fonte: G1