Manaus (AM) — O Amazonas vive um daqueles momentos em que a política deixa de ser apenas conversa de bastidor e passa a bater diretamente na vida da população. Nesta semana, decisões e movimentações envolvendo a Zona Franca de Manaus, a presidência da Aleam, as eleições de 2026 e o futuro do Pix mostram que o Estado está sob pressão em várias frentes ao mesmo tempo. E quando o Amazonas está sob pressão, não basta discurso bonito em rede social. É hora de observar nomes, responsabilidades e posicionamentos. Quem está defendendo o Estado de forma concreta? Quem está apenas acompanhando de longe? E quem só aparece quando o assunto rende palanque? Zona Franca: a cobrança precisa ter nome e endereço A nova movimentação da Fiesp contra dispositivos que beneficiam a Zona Franca de Manaus reacende um alerta antigo. O modelo amazonense, que sustenta empregos, renda, arrecadação e boa parte da economia de Manaus, volta a ser questionado por setores de fora da região. Nesse ponto, a cobrança precisa ser direta. A bancada do Amazonas em Brasília não pode tratar a Zona Franca como pauta de ocasião. Eduardo Braga, que teve papel central na relatoria da reforma tributária, aparece novamente como uma das vozes mais cobradas na defesa técnica e política do modelo. Mas a responsabilidade não é só dele. Senadores, deputados federais, Governo do Amazonas, Suframa, entidades empresariais e lideranças políticas locais precisam atuar de forma coordenada. A Zona Franca não pode ser defendida apenas quando vira manchete. Precisa de vigilância permanente. O que preocupa é a repetição do roteiro: setores de fora atacam, o Amazonas reage, a população acompanha de longe e, depois de algum tempo, o assunto volta. Essa postura reativa enfraquece o Estado. O Amazonas precisa parar de apenas se defender e começar a impor sua importância estratégica ao Brasil. Aleam: decisão de Flávio Dino expõe fragilidade interna No campo político local, a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que suspendeu regra interna da Assembleia Legislativa do Amazonas e abriu caminho para nova eleição à presidência da Aleam, expõe um ponto sensível: o Legislativo estadual precisa dar mais clareza às suas próprias regras. Adjuto Afonso assumiu o comando da Casa após a saída de Roberto Cidade, que deixou a presidência da Aleam para assumir o Governo do Amazonas. A tentativa de manter a sucessão interna como estava acabou contestada e agora a Assembleia terá que realizar nova eleição. O problema não está apenas em quem ocupa a cadeira. Está no método. A presidência da Aleam é um cargo de enorme influência. Define pauta, ritmo de votação, articulação com o governo e peso da oposição. Por isso, a escolha precisa ser transparente, regimentalmente segura e politicamente explicada à população. A pergunta que fica é simples: quem quer comandar a Aleam e com qual compromisso público? O próximo presidente será apenas um nome de consenso entre deputados ou alguém disposto a fortalecer a fiscalização, abrir mais a Casa para a população e dar independência real ao Legislativo? Roberto Cidade também entra nessa leitura A saída de Roberto Cidade da presidência da Aleam para o Governo do Amazonas mudou o tabuleiro. Desde então, cada movimentação no Legislativo passou a ter leitura política ampliada. A nova eleição na Assembleia não será apenas uma escolha administrativa. Ela também indicará a força dos grupos que orbitam o governo e os blocos que querem espaço no próximo ciclo político. Com 2026 se aproximando, a Aleam vira peça estratégica. Quem controlar a pauta legislativa terá influência sobre projetos, debates, fiscalizações e articulações que podem afetar diretamente o ambiente eleitoral. Por isso, a população precisa acompanhar. A política feita dentro da Assembleia não fica dentro da Assembleia. Ela chega aos bairros, aos municípios, aos serviços públicos e ao orçamento do Estado. TRE-AM tenta organizar o jogo antes da confusão Enquanto os bastidores se movimentam, o TRE-AM lançou uma cartilha para orientar partidos, federações e candidatos sobre as regras das eleições de 2026. A iniciativa é necessária, mas também revela uma preocupação evidente: a próxima eleição promete ser dura, digital e cheia de riscos. Propaganda antecipada, fake news, inteligência artificial, impulsionamento irregular e prestação de contas devem estar no centro do debate eleitoral. A Justiça Eleitoral tenta chegar antes do problema, mas partidos e pré-candidatos também precisam assumir responsabilidade. Não adianta assinar termo, participar de evento e depois apostar em montagem, corte malicioso, ataque disfarçado de humor ou campanha subterrânea em grupos de mensagem. Em 2026, o eleitor precisa cobrar não apenas propostas, mas também limpeza no jogo. Plínio e a PEC do Pix: pauta popular, mas debate precisa ser claro No Senado, Plínio Valério cobra a votação da PEC 65/2023, que amplia a autonomia do Banco Central e inclui proteção ao Pix na Constituição. O tema tem força popular porque o Pix faz