Manaus/AM — O Amazonas acendeu um alerta grave na segurança pública: enquanto o Brasil apresentou redução nos casos de feminicídio, o estado registrou aumento expressivo entre abril e maio de 2026. Segundo levantamento divulgado pelo G1 Amazonas, os casos triplicaram no período, colocando em evidência a urgência de respostas mais firmes para proteger mulheres em situação de risco. O dado preocupa porque o feminicídio é a etapa mais extrema de um ciclo de violência que, muitas vezes, começa com ameaças, agressões, perseguições, controle psicológico e falta de proteção efetiva. Quando os números avançam em tão pouco tempo, a sociedade precisa cobrar mais do que estatísticas: precisa cobrar prevenção, acolhimento e ação rápida. De acordo com as informações divulgadas, o Amazonas seguiu na contramão do cenário nacional. Enquanto o país reduziu esse tipo de crime, o estado registrou crescimento entre os meses analisados, o que levanta questionamentos sobre a efetividade das políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher. O impacto é direto para a população de Manaus e do interior. Cada caso representa uma vida interrompida, uma família destruída e uma falha coletiva na rede de proteção. Para muitas mulheres, denunciar ainda é um desafio marcado pelo medo, pela dependência financeira, pela falta de apoio e pela insegurança sobre o que acontecerá depois da denúncia. Especialistas em segurança e direitos das mulheres costumam apontar que o combate ao feminicídio exige atuação integrada entre polícia, Justiça, assistência social, saúde, educação e comunidade. Não basta agir depois da morte. É preciso identificar sinais de risco, garantir medidas protetivas eficazes e acompanhar de perto mulheres ameaçadas. O avanço dos casos também reforça a necessidade de ampliar campanhas de conscientização, fortalecer canais de denúncia e melhorar o atendimento às vítimas. Em muitos casos, a demora na resposta ou a ausência de acompanhamento adequado pode deixar mulheres ainda mais vulneráveis. Entre os pontos que precisam de esclarecimento estão: quais municípios concentraram os registros, quantas vítimas já possuíam histórico de denúncia, se havia medidas protetivas em vigor, quais ações estão sendo adotadas pelo poder público e como o Estado pretende impedir que novos casos ocorram. A sociedade amazonense também precisa ser chamada para essa responsabilidade. Vizinhos, familiares, amigos e colegas de trabalho podem ajudar ao reconhecer sinais de violência e acionar os canais competentes. O silêncio, em muitos casos, protege o agressor e aumenta o risco para a vítima. A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, órgãos de proteção à mulher e demais instituições responsáveis. Caso haja manifestação oficial, a matéria poderá ser atualizada. O crescimento dos feminicídios no Amazonas não pode ser tratado como número isolado. É um alerta de que vidas estão sendo perdidas e de que a rede de proteção precisa funcionar antes que a violência chegue ao ponto sem retorno. Em um estado onde mulheres seguem pedindo socorro, a resposta pública precisa ser rápida, coordenada e permanente.